quarta-feira, 27 de abril de 2011

PROGRAMAÇÃO MAIO DE 2011

01/05/2011 – ESPECIAL: DIA DO TRABALHO


O CORTE


Drama. Bélgica. 2005. Direção de Costa-Gravas

Após quinze anos de leais serviços como executivos de uma fábrica de papel, Bruno D. é despedido.Três anos se passam sem que ele encontre um novo emprego. Agora ele está disposto a tudo para conseguir um novo posto, transformando-se em um assassino frio e calculista. O filme retoma a temática do trabalho, só que agora sob a perspectiva da Europa contemporânea.

CRÍTICA:
Bruno Davert (José Garcia) é demitido da empresa onde trabalhou por 15 anos quando esta passa por uma redução de pessoal antes da transferência de sua sede para o leste europeu. Depois de dois anos desempregado e sem vislumbrar possibilidade de sucesso profissional, ele resolve tomar o cargo de um engenheiro de papel da mais próspera indústria do país, a Arcadia. Para isso, elabora um plano macabro: eliminar os cinco principais concorrentes a essa vaga e, é claro, o seu atual ocupante.

O Corte, filme lançado em 2005, conta com um fino humor negro, presente nas trapalhadas deste desempregado na eliminação de seus adversários pelo emprego. A adaptação do livro do americano Donald Westlake, sob a direção de Costa Gavras, é uma crítica ao capitalismo que rege a nossa sociedade atualmente. Ela mostra a ganância corporativa que acirra a concorrência e o medo do cada vez crescente desemprego. Tais situações são formadas pela busca desenfreada pelo consumo, numa sociedade em que “ter” é o verbo mais admirado.
De acordo com o sociólogo polonês Zygmunt Bauman, “As pessoas não são excluídas porque são más, mas porque outros demonstram ser mais espertos na arte de passar por cima dos outros”¹. Assim é a sociedade capitalista, onde um estranho “darwinismo social” faz prevalecer a máxima de que “só os fortes sobrevivem”. Logo, observamos tal situação na última película do grego.
O diretor brinca ainda com os clichês de filmes americanos, onde a TV mostra sempre notícias sobre o assunto interessante aos personagens (a propaganda da fábrica de papel Arcadia e o noticiário sobre a morte de um dos concorrentes de Bruno, por exemplo). Ainda, uma campanha publicitária que nunca chega a ser totalmente compreendida pela audiência pontua vários momentos numa crítica muda ao consumismo (outdoors e um caminhão que passa com a propaganda, quando a câmera abandona a cena principal para seguir o veículo).
O roteiro, elaborado por Costa Gavras e Jean-Claude Grumberg, certamente é o ponto mais alto nessa obra, tendo inclusive recebido indicação ao César de Melhor Roteiro Adaptado. Também se trata de uma novidade no cinema de Gavras, famoso pela feitura de filmes com cunho político e social, aqui há um registro inédito em sua carreira: a pincelada cômica na história tratada
Retratando a globalização levada às últimas conseqüências, O Corte é uma produção que quer fazer pensar. Reconvocando Bauman, poder-se-ia, assim, afirmar que “A globalização é excludente, traiçoeira, eliminadora. Ela causa morte, fome, desemprego e caos para milhões de seres humanos”², exatamente o enfoque que Gavras consegue em seu filme.
Fora da lógica hollywoodiana, o filme em momento algum se deixa levar pela filosofia maniqueísta. Por mais que o espectador julgue Devert culpado e criminoso, ele nunca chega realmente a odiar a personagem. Ainda que se crie a expectativa de uma punição, ela não acontece, e nem por isso desaponta. Não se encontra aqui a lógica da “culpa que termina em castigo”, doutrina do cinema clássico norte-americano.
Observando Bruno, ele é um cidadão comum, até medíocre. É o típico pai de família que, sem emprego para sustentar a casa, acaba um pouco deprimido e desmotivado, enfoque esse tão vulgar no cinema como um todo. Nem mesmo o rótulo de criminoso chega a ser tão pesado quanto o de “desempregado”. Contudo, a personagem se singulariza por levar às últimas conseqüências a metáfora de “acabar” com a concorrência, quando resolve matar seus adversários na luta por uma vaga.
Ele se destaca ainda pela frieza que consegue adotar frente às suas vítimas. Devert tem o distanciamento necessário de seus alvos (como na cena do terceiro homicídio, em que conversa um pouco com o garçom, mas decide que deve ir embora antes que esse diálogo “ameace sua sanidade mental”
Por fim, os outros papéis são bastante estereotipados, como a esposa, dona de casa, que precisa arranjar pequenos empregos miseráveis para manter a família. É uma mulher sem iniciativa que, mesmo estranhando o novo comportamento de Bruno, nunca o questiona e compactua com suas escapadas. Assim são também os filhos, uma garota e um garoto (a típica família classe média ocidental), cujos comportamentos refletem a dinâmica da vida do pai.
Costa Gavras consegue em O Corte uma crítica cheia de graça, mas que nem por isso deixa de levantar as questões tão importantes para o mundo atual. A principal delas talvez seja a supressão da ética, da moral, quando ainda preservamos o físico, mas não devotamos o mesmo valor à mente. Por enquanto.
Fonte: RUA- Revista Universitária do Audiovisual - Tariana Fernandes
Trailler e Crítica: http://www.youtube.com/watch?v=BEjFtOp3Dgk


08/05/2011



QUASE DOIS IRMÃOS

Drama. Brasil. 2004. Direção de Lucia Murat.

Aborda a relação entre presos políticos e presos comuns, dando origem ao Comando Vermelho que, mais tarde, passaria a dominar o tráfico de drogas. A ligação é feita por meio de dois personagens, Miguel (um jovem intelectual de classe média, preso político na Ilha Grande e, hoje, um deputado federal) e Jorge (filho de um sambista que, de pequenos assaltos, transformou-se num dos líderes do CV).

CRÍTICA:
Quase dois irmãos, de Lucia Murat, é sobretudo um filme sobre conflitos. Conflito entre dois amigos de infância cujas vidas correram paralelas em similitudes e diferenças. Conflito entre caminhos que, como assinalou Borges, se bifurcam, pontuando a distância que há entre os sonhos que alimentamos e seus desenhos concretos. Conflito, enfim, entre duas épocas – o final dos anos 60, ápice autoritário da ditadura militar, e os dias de hoje, quando o país encurrala-se no impasse aparentemente sem solução do crescente poder e sedução do narcotráfico.

Os dois amigos, no caso, são Miguel (Caco Ciocler) e Jorge (Flavio Bauraqui), que se conheceram ainda crianças devido ao apreço entre seus pais – o do primeiro, um intelectual apaixonado pela cultura popular; o do segundo, um sambista negro e morador do morro. A ponte cultural sugerida já no princípio do filme é, pois, a união possível entre esses dois lados da frágil moeda social brasileira – e também o ponto de partida para a diretora investigar de que maneira acabamos chegando ao dilema que ora nos aflige.
A trajetória de Miguel e Jorge será acompanhada ao longo de suas histórias pessoais, sempre conectadas a um fundo político e centradas em dois momentos básicos: a convivência na Ilha Grande, onde foram enquadrados na mesma Lei de Segurança Nacional - respectivamente por motivos políticos e por assalto - e o reencontro na atualidade, quando um virou deputado federal e o outro, líder do Comando Vermelho. Murat repisa a tese de que o convívio de detentos comuns com os articulados representantes dos movimento de esquerda corroborou para o nascimento do chamado ‘crime organizado’. E renova, agora através da paixão da filha adolescente de Miguel pelo ritmo do funk e por um jovem traficante, o paradoxal vínculo de repúdio e fascínio que fração dos segmentos mais estudados mantém com relação ao que é marginal.
Assim, mais do que fazer um simples recorte a respeito de certos aspectos do Brasil sob a mão pesada dos militares, a diretora expõe dilemas que nos flagelam hoje, com a cisão entre a classe média insegura, refém do próprio individualismo, e o imenso contingente de pobres que, cada vez mais afeitos aos signos do consumo, optam por trocar anos de vida por algum glamour, nem que seja meramente local. Um glamour cujo financiamento é feito pela própria classe média, num moto-contínuo sem freio ou solução imediata. Esse dois mundos, que se esbarram com progressiva freqüência, são muito bem retratados no roteiro, assinado em parceria por Murat e pelo escritor Paulo Lins, ela ex-militante política, ele autor do romance Cidade de Deus.
Com uma competência técnica que (felizmente) não abdica da contundência, Quase dois irmãos explicita a conivência policial, a coexistência compulsória da comunidade com os criminosos, a violência gratuita de quem se crê onipotente, todos estes elementos que contribuem para o mérito do filme de não enveredar por otimismos cândidos, nem apontar dedos para nichos exclusivos. Pelo contrário. Se Murat concede ao Estado sua parcela de culpa, em contrapartida não livra a cara o indivíduo - cuja imagem, na produção, faz lembrar a “superfluidade” conceituada pela grande Hannah Arendt. Uma imagem que esboça impotência acomodada, como se nada que se diga, se queira ou se faça vá importar para a sociedade.
Entre as atuações, destaque para os elencos dos grupos Nós do Morro e Nós do Cinema, que representam os jovens do tráfico, e para Flavio Bauraqui, no ponto exato como o estrepitado Jorge. Merece citação a sensacional seqüência em que, diante da lancinante dor-de-cotovelo do amigo, ainda dentro da prisão, Jorge o consola, e consegue transformar a situação essencialmente dramática numa verdadeira catarse. O trabalho de Ciocler é prejudicado pelos traços um tanto estereotipados do militante de esquerda sessentista. Isso, embora seja possível especular se alguns deles não constituíam de fato estereótipos em si.
Em meio a tantas qualidades, é preciso salientar que Quase dois irmãos por vezes esbarra no didatismo e chega a abusar de metáforas à beira do lugar-comum. Um bom exemplo é a passagem em que os detentos da Ilha Grande propõem – e constróem – um muro que a partir de determinado momento dividirá o pavilhão entre presos políticos e os presos comuns. Desnecessária, a alegoria acentua o que já está bastante claro para o espectador.
São, entretanto, problemas menores num filme tão urgente quanto o estado de coisas que, mais do que apenas denunciar, procura compreender, numa abordagem à beira do documental, muito valorizada pela fotografia de Jacob Solitrenick. A câmera na mão possibilita a agilidade e o vigor adequados à trama. E, em alguns momentos, se permite vôos para além do realismo. É o que acontece num plano-síntese no qual Jorge, já alçado ao comando do tráfico, descansa em sua cela, coberto pela sombra das grades em contraluz. Sugestão sutil de que dentro da atual perspectiva não há liberdade possível; de que sua clausura estende-se para além do presídio, e o acompanhará aonde esteja ou para onde vá. Assim como a de Miguel. E infelizmente, talvez, como a de cada um de nós. (FONTE: críticos.com)

TRAILLER: http://www.youtube.com/watch?v=0mYVCbFKQ24







15/05/2011



OURO AZUL: World Water War


Documentário. EUA. 2009. Direção de Sam Bozzo

Documentário sobre a escassez de água no mundo, que demonstra como o planeta se aproxima “rápida e perigosamente” de uma crise mundial por este bem essencial à vida.

Inspirado no livro “Ouro Azul”, de Maude Barlow e Tony Clarke, o filme venceu seis Festivais Internacionais em 2009.

 TRAILLER: http://www.youtube.com/watch?v=Ikb4WG8UJRw



 
22/05/2011



O CONCERTO


Comédia. Russia. 2010. Direção de Radu Mihaileanu

Há 30 anos atrás, o renomado maestro Andrei Simoniovich Filipov (Alexei Guskov) foi demitido da orquestra de Bolshoi, mas seguiu trabalhando por lá como auxiliar de limpeza. Um dia, ele acaba descobrindo que o Bolshoi foi convidado para tocar no Châtelet Theater, em Paris, e decide reunir seus antigos amigos para tocar no lugar da atual orquestra.

CRÏTICA:
O cineasta romeno Radu Mihaileanu conseguiu de novo. Depois de escrever e dirigir um dos melhores filmes dos anos 90 – O Trem da Vida – Radu apresenta seu genial O Concerto, filme coproduzido por nada menos que cinco países: França, Itália, Bélgica, Rússia e Romênia. Um verdadeiro tour de force europeu que traz como tema exatamente as aventuras, desventuras, ironias, dramas e comédias de tornar a União Europeia uma efetiva... união.

A idéia original é de Héctor Cabello Reyes e Thierry Degrandi, praticamente dois desconhecidos no mercado cinematográfico. Eles desenvolveram a incrível história de Andrey (Alekesey Guskov), famoso maestro da antiga União Soviética que, por motivos que só saberemos ao final do filme, caiu em desgraça com o então todo-poderoso premiê Leonid Brejnev, e hoje é apenas um faxineiro do Teatro Bolshoi, em Moscou. Tudo caminha melancolicamente na vida de Andrey, até o dia em que acidentalmente intercepta um fax encaminhado ao diretor do Teatro, solicitando a contratação da orquestra do Bolshoi para uma apresentação de gala no conceituado Teatro Châtelet de Paris. É a chance de sua vida! Sem imaginar as consequências, o ex-maestro decide enganar o verdadeiro Bolshoi e ele próprio se apresentar na capital francesa. Mas, para isso, terá de montar uma orquestra inteira... em 15 dias.
Assim tem início uma louca, divertida e satírica empreitada bastante parecida por sinal com a doce maluquice da proposta básica de O Trem da Vida: criar uma grande farsa para iludir e tirar proveito dos aproveitadores do poder. Em ambos os casos, de ambos os filmes, o humor e o imponderável estão a cargo do sarcasmo social. Mais do que formar uma orquestra de Brancaleone, o grande maestro na verdade rege aqui a própria identidade europeia, multifacetada, fragmentada, mas com talento e garra suficientes para criar uma união que - talvez - traga benefícios a todas estas pequenas e enraizadas culturas que se convencionou chamar de Europa. Uma fragmentação que encontra na perfeita sintonia obtida num concerto erudito sua mais fiel analogia.
E mais: o filme é um verdadeiro resgate da dignidade russa pós-esfacelamento da União Soviética. Num primeiro momento, a título de comédia, O Concerto parece até exagerar na dose de preconceitos contra os eslavos, pintando-os como embriagados e irresponsáveis. Aos poucos, porém, percebe-se que Mihaileanu está apenas carregando de forma proposital nas tintas da maquiagem do palhaço, para nos momentos finais revelar toda a beleza e o poder de recuperação desta cultura tão grandiosa que foi por décadas ridicularizada pela Guerra Fria, pelos donos da mídia ocidental, e pela incompetência de vários de seus próprios dirigentes políticos.
Tudo isso com um humor encantador, um ótimo ritmo de comédia, e um belo roteiro que guarda boas surpresas para o final. Indicado a quatro prêmios César (ganhou os de Som e Trilha Sonora) e ao Globo de Ouro de Melhor Filme em língua não inglesa, O Concerto é uma das melhores produções que vimos no circuito comercial brasileiro em 2010.

TRAILLER: http://cinema.uol.com.br/ultnot/multi/2010/12/09/04021C3268D4898307.jhtm



29/05/2011: ESPECIAL: GUERRA CIVIL ESPANHOLA



TERRA E LIBERDADE


Inglaterra/Espanha. 1995. Direção de Ken Loach

Tendo como pano de fundo a Revolução Espanhola, conta a história de uma jovem que encontra entre os pertences do avô falecido, um ex-revolucionário que lutou contra o fascismo de Franco, algumas cartas, recortes de jornais e um punhado de terra embrulhado num lenço. É baseado no romance Terra e Liberdade (ou Homenagem à Catalunia - em Portugal), de George Orwell (mesmo autor do livro 1984), que neste livro relata sua passagem pela Guerra civil espanhola. Destaca-se que o filme é do mesmo diretor do filme Pão e Rosas. Venceu o prémio do Júri Ecuménico no Festival de Cannes.

TRAILLER: http://www.youtube.com/watch?v=VKCOkm5wA48

terça-feira, 19 de abril de 2011

Novidades...Edital PREAC!!

Pessoal,

Saiu o resultado do edital PEC2010 e o projeto do Cinemoras foi aprovado!!!Com essa grana pretendemos deixar o espaço impecável...mais acervo, novo projeto, equipamentos de som, enfim...mais uma vitória para a Moradia...que agora irá contar com mais equipamentos e com uma sala, de fato, adaptada para sessões de cinema!!

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Reativando o Cinemoras - Programação Abril de 2011

Lembrando que as sessões ocorrem aos domingos, às 19h, na torre do bloco O-N da Moradia Estudantil da Unicamp (Av. Santa Isabel, 1125)

 10/04/2011



Almoço em Agosto.

Comédia. Itália. 2008. Direção de Gianni Di Gregorio



Sinopse: Giovanni é um homem de meia idade, que mora com sua mãe viúva e enfrenta problemas financeiros. Sabendo de sua complicada situação, Luigi, o proprietário do apartamento em que eles vivem, faz uma proposta: que Giovanni abrigue a mãe dele e sua tia Maria durante o feriado de 15 de agosto, em troca de um abatimento nos aluguéis atrasados. Sem alternativa, ele aceita. Logo Giovanni é obrigado, a contragosto, a assumir o papel de babá das senhoras alojadas em sua casa.

Crítica: Um dos encantos do cinema está em nos permitir conhecer outras realidades e culturas. Almoço em Agosto (Pranzo di Ferragosto) traz uma dessas oportunidades que não podem ser desperdiçadas por quem gosta ou tem interesse em conhecer a cultura italiana. Além de o protagonista passar o filme inteiro bebendo vinho e cozinhando pratos típicos, ele está preparando o almoço de Ferragosto, um feriado que muitos não conhecem. Tudo surgiu de uma festividade romana pela fertilidade, mas com a adoção do Cristianismo a festa foi convertida em uma celebração que relembra a ascensão de Virgem Maria, comemorada em 15 de agosto.

A inversão de papéis entre pais e filhos que acontece na terceira idade é muito bem retratada pela produção. Sempre se tem a impressão que os idosos podem por vezes comportarem-se como crianças que precisam ser controladas. Comendo o que não deve, retrucando às sugestões das pessoas mais novas e outras travessuras e manhas são mostradas pelo filme de forma leve, sensível e cômica. Entre uma risada e outra, não se surpreenda se bater aquela vontade súbita de visitar a vovó.
Quem acompanha meus textos sobre cinema, sabe da minha indisposição com uma certa tendência contemporânea do cinema europeu de produzir filmes que não se focam muito no conflito e preferem fazer o retrato de uma situação, como o recente Horas de Verão. Almoço em Agosto segue essa linha que pejorativamente e deliberadamente apelidei de “filmes sobre nada”.
Fico muito feliz e não tenho medo de afirmar que a fita italiana é a primeira que eu realmente gosto e até tenho vontade de rever nesse novo gênero. As razões de minha afeição são a grande simpatia que os personagens apresentam e a comicidade leve desse singelo filme. (Fonte: Cinepop)

Trailler: http://www.youtube.com/watch?v=qdElOqCwcu8


17/04/2011



Cidadão Boilensen.

Documentário. Brasil. 2009. Direção de Chaim Litewski.



Sinopse: "Cidadão Boilesen", conta o envolvimento da classe empresarial brasileira com o pior dos anos de chumbo da ditadura Brasileira. Henning Boilesen, figura representativa na alta roda paulistana, presidente do grupo Ultra (Ultragás) participou ativamente na OBAN (Operação Bandeirante). O filme mostra que ele, assim como empresários da Camargo Correa, Folha de São Paulo, entre muitos outros, financiaram a repressão. Boilesen, diferentemente de quase todos, foi punido, sendo assassinado pelos militantes do MRT e ALN.

Crítica: Há 18 anos - em 1991 -, Chaim Litewski ingressou na ONU, o que o faz hoje viver em Nova York. No início da semana, ele voltou ao Brasil - e a São Paulo - para participar de um debate sobre seu documentário Cidadão Boilesen, que estreia nesta sexta, 27, nos cinemas. Cidadão Boilesen foi premiado no Festival Internacional de Documentários É Tudo Verdade, esteve no Festival do Rio e na Mostra de São Paulo. Sempre aplaudido pelo público e pela crítica, levanta o véu sobre a Operação Bandeirantes.
A Oban, como era chamada, foi um centro de informações, investigações e de torturas montado pelo Exército brasileiro no fim dos anos 1960 para combater organizações de esquerda que confrontavam o regime ditatorial que vigorava desde 1964 no País. O filme deixa claro que era financiada por empresários e banqueiros. O caso de Henning Boilesen, o cidadão Boilesen, é exemplar. Dinamarquês naturalizado brasileiro, ele virou empresário no País. Anticomunista ferrenho, ligou-se a grupos militares e paramilitares. Outros empresários e banqueiros - nomeados no filme - também fizeram isso, mas Boilesen se destacava por uma particularidade fartamente debatida no filme. Sádico, ele tinha um prazer especial em seguir as sessões de tortura, chegando a fornecer carros da empresa Ultragaz, do grupo Ulbra, que presidia, para operações de repressão. Em 1971, foi vítima de uma emboscada e morto por guerrilheiros.
Um dos entrevistados, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, faz uma bela análise sociológica do episódio. Guerrilheiros fazem acusações a Boilesen, mas seus familiares - o filho, em particular - contestam que fosse o monstro sugerido em Cidadão Boilesen. Entretanto, os indícios são muitos e confirmados por outros notórios personagens ligados à Oban, incluindo o célebre Coronel Erasmo Dias. No debate de segunda-feira, Litewski lembrou que foi em 1968 que ouviu pela primeira vez, na televisão, o nome de Boilesen ligado a grupos militares. Após a morte do empresário, ele nunca deixou de pensar no assunto, mas só começou a encarar a possibilidade de realização de um filme a partir do depoimento que colheu do ex-guerrilheiro Carlos Eugênio da Paz. "Só aí foi que eu realmente me conscientizei de que tinha material para uma obra consistente."
Mesmo assim, foram mais de 15 anos de pesquisa, que agora se concluem na estreia. Litewski elaborou uma lista de 200 possíveis entrevistados. Um terço lhe bateu o telefone na cara, tão logo ele anunciava sua intenção. Outro terço admitia dar depoimento, sem que fosse gravado ou filmado, certamente temendo represálias. O terço final, finalmente, deu a cara e a voz às denúncias formuladas no filme. Elas de alguma forma corrigem a história oficial. Mostram que a famigerada ditadura foi, na verdade, uma aliança civil-militar, incentivada e sustentada por setores de peso na sociedade, e não apenas empresários da Fiesp ou banqueiros da Febraban. Nem a imprensa é poupada. Litewski, que se autodefine como ‘rato de pesquisa’, só cita empresários e organizações que tenham sido mencionados por no mínimo três fontes diferentes.
Formado em comunicação, propaganda e cinema, Chaim Litewski especializou-se em filmar, documentar e discutir conflitos. Ele admite que tem uma relação de fascinação e ódio pela violência. Este documentário, feito ao longo de tanto tempo, o levou até a Dinamarca, em busca das origens de Henning Boilesen. Lá ele ouviu um depoimento muito interessante, que está no filme - o empresário, que teve uma origem humilde, tinha um lado sombrio muito forte na sua personalidade. Criança, teve um prazer tão grande em observar a punição de colegas da escola que o caso foi suficientemente inusitado para merecer a observação de um dos professores, acrescentada à ficha escolar. Na Dinamarca, a própria cultura local talvez lhe impusesse manter essas tendências perversas reprimidas. No Brasil da ditadura civil/militar, em contato com figuras como o sinistro delegado Sérgio Paranhos Fleury, essas tendências não apenas afloraram como foram liberadas.
Litewski conta que, durante muito tempo, somente conseguiu tocar o projeto de Cidadão Boilesen nas horas vagas. Ele trabalhava regularmente, nas suas funções habituais, e às 17 horas, 18 horas ficava liberado para se debruçar sobre os penosos acontecimentos que o documentário registra (e analisa). A verba sempre foi curta - ele só conseguiu finalizar Cidadão Boilesen após a premiação no É Tudo Verdade. Na Dinamarca, quase conseguiu uma parceria, mas os dinamarqueses impunham certas condições e elas se referiam principalmente ao tom do filme, ao enfoque da direção. Queriam o filme compassivo, indignado, com ênfase nas cordas do cello - pegando carona na metáfora musical, já que o ex-guerrilheiro Carlos Eugênio é hoje músico. Litewski queria incorporar música brejeira, fazer sátira, num estilo mais brechtiano. (Fonte: Estadão)

Trailler: http://www.youtube.com/watch?v=9TrocKiappo


24/04/2011



Thelma & Louise.
Drama. EUA. 1991. Direção de Ridley Scott



Sinopse: Thelma é uma dona de casa entediada e Louise), uma garçonete quarentona, cansada da rotina. Juntas, partem em um Thunderbird 66 conversível para uma pescaria de três dias. No entanto , as coisas não acontecem exatamente como elas haviam planejado e em pouco tempo se tornam fugitivas da polícia por haver matado um homem numa tentativa de estupro. Clássico dos anos 90, foi vencedor de vários oscars.

Crítica: Thelma e Louise, cansadas da vida que levam (Thelma é dona de casa e Louise é garçonete), decidem fugir da rotina e juntas resolvem jogar tudo pro alto numa viagem de carro pelo país. O que teria tudo pra ser mais uma historinha tipo "sessão da tarde" se transforma num trama cheia de reviravoltas e surpresas.
Thelma sofre uma tentativa de estupro e mata um homem. Depois conhece e se envolve com JD (um Brad Pitt ainda iniciante na carreira) que se revela não ser nem um pouco confiável. Já Louise, enquanto tenta consertar os estragos que a amiga causa tem ainda que resolver seu relacionamento um tanto complicado com o parceiro Jimmy (Michael Madsen). Apesar de as duas se tornarem verdadeiras criminosas durante o desenrolar da história, não tem como não torcer pela dupla, competentemente interpretada por Susan Sarandon e Geena Davis.
Harvey Keitel (Pulp Fiction, Cortina de Fumaça), que interpreta um policial empenhado e ajudar as protagonistas, também está muito bem em seu papel de coadjuvante. Aliás, Keitel é o tipo do ator que está sempre exibindo atuações espetaculares, ainda que em papéis pequenos.
O filme nunca cai na mesmice, tendo sempre "ganchos" espetaculares, como a cena em que as duas, revoltadas com os gestos obscenos dirigidos a elas por um caminhoneiro, explodem o caminhão do homem sem pensar duas vezes.
O que mais encanta nesse filme é o questionamento que muitos fazem: “Por que largar uma vida perfeitamente calma e normal para se meter num verdadeiro caos de acontecimentos?". A verdade que percebemos ao assisti-lo, no entanto, é que uma vida cheia de tédio e acomodação pode ser bem pior que uma aventura totalmente sem previsão. Thelma e Louise, em seu ponto de vista, se descobrem pessoas sem nada a perder e acabam vivendo muito mais intensamente nos seus dias de fugitivas que em toda a vida "perfeitinha" que levavam.
O filme Ganhou o Oscar de Melhor Roteiro Original, além de ter recebido outras 5 indicações: Melhor Diretor, Melhor Atriz (Geena Davis e Susan Sarandon), Melhor Montagem e Melhor Fotografia.
Quanto ao desfecho, não poderia ter tido melhor, mais inesperado e ao mesmo tempo a única opção condizente com as personagens e com o que elas viveram durante sua jornada. Para não correr o risco de estragar o filme para os que não assistiram, não vou deixar nada explícito quanto ao final, mas posso dizer algo com toda certeza: Não decepciona.


Trailler:http://www.youtube.com/watch?v=na-LDwuH1lQ&playnext=1&list=PL174279CD4128649E